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Tratamento da ansiedade

A identificação e a abordagem do comportamento de fuga são aspectos importantes do tratamento. Os doentes necessitam de quebrar o ciclo de fuga e ansiedade, permitindo a si próprios estar em situações que os tornam ansiosos. Como primeiro passo para lidar com a PSPT, deverá encorajar os doentes a transformarem a atitude de fuga, que é um mecanismo passivo para lidar com as situações, numa atitude ativa, sugerindo que realizem atividades que lhes desviem a atenção do traumatismo e que os mantenham envolvidos nas suas vidas.

Em última análise, a eliminação da atitude de fuga pode requerer tratamento com um especialista em terapêutica cognitivo-comportamental (TCC). Uma vez que o número de terapeutas com treino na TCC é insuficiente e que a terapêutica farmacológica pode aliviar os sintomas de forma equivalente, a farmacoterapia é uma opção frequente.

Duas abordagens alternativas demonstraram igualmente eficácia clínica.

Farmacoterapia

Os inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRSs) constituem a base do tratamento farmacológico para as perturbações ansiosas. As benzodiazepinas (BZDs) são por vezes eficazes nos indivíduos com uma doença resistente ao tratamento. Contudo, nem todos os fármacos destas classes se encontram aprovadas pela FDA para o tratamento das perturbações ansiosas.

ISRSs

Os ISRSs — o citalopram, o escitalopram, a fluoxetina, a fluvoxamina, a paroxetina e a sertralina — demonstraram ser eficazes em todas as perturbações ansiosas exceptuando as fobias específicas, embora os resultados sejam menos significativos nos doentes com PAG. Se um determinado ISRS for ineficaz ou se causar efeitos secundários intensos, podem efectuar-se ensaios terapêuticos com 1 ou 2 outros fármacos. O perfil de efeitos secundários pode ser útil para a escolha de um agente.

Os ISRSs não constituem uma cura, nem mesmo um tratamento totalmente satisfatório, para as perturbações ansiosas, que são geralmente problemas crónicos. Embora os ISRSs possam produzir uma melhoria significativa na qualidade de vida, apenas cerca de 20% dos doentes ficam livres de sintomas em resultado da terapêutica e podem ser capazes de suspender a medicação, pelo menos durante alguns períodos de tempo. Na maior parte dos doentes, os ISRSs suprimem simplesmente os sintomas; quando o fármaco é suspenso, os sintomas têm probabilidades de voltar.

Os doentes que não respondem totalmente à posologia mínima eficaz dum ISRS podem apresentar melhores resultados com posologias mais elevadas, desde que os efeitos secundários não sejam impeditivos. A referenciação para um especialista é recomendada quando os doentes excedem a posologia habitual, por exemplo, mais de 60 mg/ dia de paroxetina ou 200 mg/dia de sertralina. Um especialista pode aconselhar o aumento ou a substituição por outro medicamento.

Todos os ISRSs apresentam efeitos secundários. Uma vez que os doentes com perturbações ansiosas, particularmente os que experimentam ataques de pânico, podem apresentar uma baixa tolerância aos medicamentos, é importante começar qualquer medicação com uma posologia baixa. Os doentes podem apresentar uma má tolerância devido ao seu medo das sensações corporais ou podem ser realmente fisiologicamente sensíveis aos medicamentos. Os doentes podem frequentemente aumentar a sua tolerância se a posologia for aumentada gradualmente. Outros medicamentos Se 2 ou 3 ISRSs diferentes demonstrarem ser ineficazes, pode ser experimentada uma BZD, como o alprazolam, o clonazepam, o diazepam ou o lorazepam. Apesar das suas desvantagens bem conhecidas, as BZDs podem ser os únicos fármacos a resultarem em alguns doentes.

Diversos outros agentes e classes farmacológicas foram já experimentados nas perturbações ansiosas com resultados variáveis.

Terapêutica não farmacológica

Muitos doentes preferem a terapêutica psicológica à farmacoterapia e a combinação da psicoterapia com a terapêutica farmacológica é considerada mais eficaz do que qualquer das modalidades isolada. No entanto, a psicoterapia para as perturbações ansiosas é altamente especializada e requer a procura dum profissional com bastante experiência no único método que demonstrou ser bem sucedido para as perturbações ansiosas, a TCC.

Embora a TCC e a farmacoterapia sejam consideradas equivalentes nos sintomas agudos, a probabilidade duma remissão completa dos sintomas com uma TCC adequadamente conduzida é aproximadamente 2 a 3 vezes maior do que com a medicação isolada. Num estudo comparando a TCC com a imipramina na perturbação de pânico, as quantificações nos 6 meses de seguimento favoreceram a TCC, quer isolada quer associada à imipramina, em relação à imipramina isolada. Contudo, uma vez que a TCC envolve a exposição à situação receada, ela não é tolerada por todos os doentes.

Na terapêutica baseada na TCC referida como “exposição prolongada”, os doentes são educados no que respeita ao traumatismo, ao treino de relaxamento, à vivência imaginativa do traumatismo, à exposição a situações que recordam o traumatismo e à reestruturação cognitiva. Esta terapêutica, que se mostra promissora nos doentes com PSPT, visa a utilização da fuga como mecanismo para lidar com as situações.