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Diagnóstico da ansiedade

A familiaridade com os critérios diagnósticos de diversas perturbações ansiosas é essencial. Os critérios diagnósticos completos para cada uma das perturbações encontram-se disponíveis no Diagnostic and Statistical Manual of Medical Disorders, Quarta Edição (DSM-IV), publicado pela American Psychiatric Association.

Perturbação de pânico com agorafobia

Os ataques de pânico e a agorafobia são definidos separadamente da perturbação de pânico no DSMIV Os ataques de pânico podem ocorrer em todas as doenças psiquiátricas e em diversas situações médicas sem um diagnóstico concomitante de per- turbação de pânico. A agorafobia é considerada uma perturbação ansiosa separada, mas esta situação ocorre em alguns doentes com perturbação de pânico.

Ataques de pânico

Um ataque de pânico consiste no início súbito de sensações extremamente assustadoras e que aumentam rapidamente. Os doentes podem descrever a sensação como de perda do controlo, de morte eminente ou do “sangue estar a esvair-se da cabeça”. Pode surgir um medo de “enlouquecer” em resposta à afirmação de muitos médicos de que não existe nada de errado do ponto de vista físico. Para se diagnosticar um ataque de pânico, o doente deve ter pelo menos 4 sintomas duma lista de 13 (Quadro Abaixo). Os sintomas devem desenvolver-se abruptamente e atingir um pico em 10 minutos. No entanto, os doentes podem apresentar episódios com sintomas limitados nos quais apresentam menos de 4 sintomas completos. Os ataques duram geralmente entre 10 e 20 minutos.

Sintomas dos ataques de pânico
  1. Palpitações ou frequência cardíaca aumentada
  2. Sudação
  3. Tremores
  4. Sensações de dispneia ou sufocação
  5. Sensação de asfixia
  6. Dor ou desconforto precordial
  7. Náuseas ou desconforto abdominal
  8. Sensação de tonturas, instabilidade ou perda do conhecimento
  9. Desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (estar fora de si próprio)
  10. Medo de perder o controlo ou de "enlouquecer"
  11. Medo de morrer
  12. Parestesias (sensações de adormecimento ou formigueiro)
  13. Calafrios ou afrontamentos

Os ataques de pânico ocorrem inicialmente de forma aleatória mas, mais tarde, quando se desenvolve agorafobia, eles são predispostos por situações (ocorrendo frequentemente em situações específicas). Os ataques de pânico ligados a situações, experimentados por doentes com fobias específicas ou com uma perturbação obsessiva-compulsiva, ocorrem sempre que a pessoa está em presença dum estímulo provocador. A ocorrência de ataques de pânico parece ser um marcador de mau prognóstico para qualquer doença psiquiátrica ou médica.

Perturbação de pânico

A perturbação de pânico é uma síndrome específica de ataques de pânico espontâneos, recorrentes, com agregação familiar. Não existe um factor desencadeante óbvio, ao contrário dos ataques de pânico predispostos por situações ou da agorafobia. Para cumprir a definição de ataques de pânico recorrentes, os doentes devem simplesmente ter tido pelo menos 2 durante a sua vida, embora os doentes com uma perturbação do pânico geralmente tenham tido muitos. Além disso, o doente deve experimentar medo do pânico, medo das suas consequências ou implicações ou uma alteração no comportamento relacionado com o pânico. Esta última pode ser uma atitude fóbica de evitar uma situação ou um comportamento auto-protector tal como trazer consigo um comprimido ansiolítico. As manifestações de evitar uma situação podem ser ligeiras — ou podem ser reconhecidas como uma agorafobia bem estabelecida. Após um ataque de pânico — e por vezes precedendo o primeiro ataque — os doentes começam a monitorizar e a recear as suas sensações corporais, especialmente as que envolvem o sistema nervoso autónomo. Eles irão provavelmente evitar actividades que suscitam sensações físicas, tal como o exercício.

Agorafobia

Embora a agorafobia tenha sido desde há muito caracterizada como “medo do mercado”, ela é mais adequadamente descrita como o medo de estar só ou preso e impossibilitado de escapar ou de obter auxílio sem grande dificuldade ou constrangimento. Devido ao medo dos ataques de pânico repetidos — ou das consequências ou implicações destes ataques — os doentes evitam situações nas quais os ataques ocorreram no passado, tais como as idas à mercearia, a utilização de transportes públicos ou as saídas de casa. Os doentes podem também evitar lugares de onde prevêem serem incapazes de escapar com facilidade ou de obter auxílio. A agorafobia pode também ser observada em doentes médicos, tais como os doentes pós-cirúrgicos que receiam que as suas suturas abram ou os doentes com EM que receiam sofrer outro ataque cardíaco.

PAG

Os doentes com PAG, a perturbação ansiosa mais prevalente nos cuidados primários de saúde, preocupam-se incessantemente. Alguns doentes têm consciência da sua preocupação descontrolada, enquanto que outros apenas o notam quando um familiar ou amigo o salienta. A preocupação está geralmente associada a eventos de todos os dias, tais como chegar tarde a encontros marcados ou ter uma avaria no carro, mas pode ser mais global, dizendo respeito à possibilidade de acontecer alguma coisa catastrófica ao próprio doente ou a familiares. Os doentes irão provavelmente apresentar-se irrequietos e nervosos. Os sintomas associados são semelhantes aos observados nas perturbações depressivas, incluindo fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e perturbações do sono.